terça-feira, 20 de novembro de 2018

Novembro Negro da Comunidade Quilombola da Lagoa Grande




A Comunidade Quilombola de Lagoa Grande (Distrito de Maria Quitéria) convida para a 6ª edição do seu Novembro Negro, que acontecerá nos dias 23 e 24 de novembro.
Tendo por tema “Construindo saberes, fazeres e dizeres: educação escolar quilombola para além da escola”, a comunidade e a Associação Comunitária de Maria Quitéria – ACOMAQ desejam, por meio de diversas atividades, pensar o papel da educação na construção da identidade quilombola e do processo de luta contínua.
As integrantes do grupo Sabores do Quilombo, que compartilha, na Cantina do módulo I, o processo de incubação com a Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da UEFS, participará da programação com relatos de sua experiência e com o “Café com Prosa: culinária e sabores quilombolas”.
Abaixo uma síntese de programação:

23/11/2018
13:00h – credenciamento
13:40h -  Abertura oficial
14:00h - Mesa Institucional
15:00 às 17:00h Apresentações artísticas, culturais e corporais das Escolas Municipais (Vasco da Gama, José Tavares Carneiro, Paulo de Freiras e Manuel Cundes)
17:00 às 19:00h - Apresentação Cultural da Quixabeira da Matinha

24/11/2018

07:00h – Café com Prosa: culinária e sabores quilombolas - Sabores do Quilombo (grupo produtivo da comunidade)
09:00h– Grupo de Capoeira
10:00h – Mesa: A Escola na comunidade: as experiências da Escola Municipal José Tavares Carneiro
10:00 às 12:00 h - Espaço infantil
12:00h - Almoço quilombola: feijoada solidária
14:00h – Educação Escolar Quilombola e as perspectivas para o Projeto Político Pedagógico do “ novo” espaço da “nova” Escola.
Introdução para organização dos grupos ( Renilda, Girlene, Francilene e Maria José)
Grupos de Discussão:
1- Ser Quilombola: o que tem isso a ver com o pensar da nossa nova Escola?
2 - A nossa nova Escola e a religião: como falar de intolerância religiosa?
3 - Qual o lugar do preconceito de cor e com a pessoa com deficiência na nossa vida e na nossa Escola?
4 - Que tipo de conhecimentos uma Escola Quilombola precisa? Como trazer a Escola pra perto da vida da gente?
5 - Política é assunto para Escola: como é que a gente se organiza para lutar por nossos direitos?
6-Como organizar a Escola do jeito que a gente vive e trabalha no campo?
15:30 às 17:30h- Socialização das discussões dos grupos e apresentação dos Guardiões da Lagoa
18:00h -  Apresentação Cultural Samba de Roda Quixabeira da Lagoa da Camisa.

Durante toda a programação acontecerá a Feira Solidária e tradicional com os produtos, alimentícios, culturais e artesanais da Comunidade e poderão ser visitadas as tendas culturais e artísticas:
- Pandeiro
- Trança e turbante 
- Rezadeira e benzadeira
- Sabores do quilombo
- Flores do campo da palha de milho
- Ciranda infantil
- Nas mãos do pilão
- Chá das Senhoras
-  Produção agroecológica local

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

ANAIS DO II CIEPS

É com muita satisfação que divulgamos a publicação dos Anais do II CIEPS - Congresso Internacional de Economia Popular e Solidária e Desenvolvimento Local: como produzir e trabalhar na contramão do empreendedorismo?

Eles representam bem a diversidade e riqueza de experiências, trocas e ideias que circularam no Evento. Esperamos que os textos possam inspirar as reflexões e lutas por outros modos de trabalhar, produzir e vivenciar a nossa humanidade, cada vez mais necessários neste momento político de retrocessos.

Esclarecemos que estes Anais correspondem tão somente aos trabalhos relacionados aos Grupos de Trabalho 1, 2 e 3 (II CIEPS) da XI Feira do Semiárido, evento maior que congregou o II CIEPS. Os trabalhos relativos aos Grupos de Trabalho 4, 5 e 6 serão objeto dos Anais da XI Feira do Semiárido, ainda em fase de elaboração (maiores informações através do email semiarido.uefs@gmail.com).

Agradecemos a divulgação!


sábado, 13 de outubro de 2018

NOTA SOBRE O 2º TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

A Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS estuda e pratica formas diferentes de trabalhar e produzir, contrárias à exploração e à desigualdade. Só isso já basta para entender nosso trabalho como político – não no sentido de “partidos políticos”, mas no que essa palavra tem a ver com a preocupação em tornar possível discussões e escolhas com autonomia.

De todo modo, porque levamos a sério a autonomia de cada uma das pessoas com as quais compartilhamos nossos projetos e para que não sejamos confundidos com as muitas práticas que sabemos fazer parte, infelizmente, dos espaços políticos – muitas vezes usados como moeda de troca com fins eleitoreiros – sempre tivemos cuidado de não tratar diretamente de candidatos(as) ou partidos.

A situação do país é, no entanto, gravíssima, na nossa avaliação. Temos diante de nós a chance de um projeto político assustadoramente contrário à classe trabalhadora vencer as eleições. Direitos trabalhistas, políticas sociais de redução da desigualdade, a universidade pública, a previdência pública, o sistema de saúde pública, entre outras conquistas conseguidas com dezenas de anos de luta estão seriamente ameaçadas. No nosso caso, especialmente, as políticas públicas voltadas à economia popular e solidária e à agricultura familiar correm o risco de simplesmente desaparecer.

Por isso, sem abrir mão de preservar a autonomia política de noss@s interlocutor@s, resolvemos, em decisão coletiva, que iremos passar a compartilhar nas redes sociais informações sobre os candidatos à presidência e sobre nossa escolha coletiva para o segundo turno das eleições, sempre tendo o cuidado de checar a verdade e manter um diálogo respeitoso.

Nós da Incubadora votamos em diversos candidatos diferentes no primeiro turno. Muitos(as) de nós acreditam que o programa de governo proposto por Fernando Haddad, do PT, é menos radical do que seria necessário para que tod@s tenham as mesmas oportunidades em um país tão desigual e injusto. Mas para nós ele é certamente a melhor opção, diante do grave descompromisso do candidato Jair Bolsonaro com a classe trabalhadora.

Caso haja interesse, nos colocamos à disposição para dialogar sobre os temas das campanhas em outros espaços, como escolas, igrejas, associações de moradores que vocês compartilhem.

As eleições são apenas uma parte das lutas para construir um mundo melhor. Mas não dá prá abrir mão de luta alguma!

A Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da UEFS apoia a candidatura de Fernando Haddad.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A FEIRA DE SABERES E SABORES EM NOVO LOCAL: APAREÇA!


 A Feira Permanente de Economia Popular e Solidária e Agricultura Familiar -  Saberes e Sabores é um projeto de extensão da Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da UEFS que teve início em outubro de 2017.
A ação, no entanto, vem sendo gestada há muitos anos pela IEPS. Registram-se esforços neste sentido desde 2010, quando se chegou a projetar a feira envolvendo as comunidades participantes do Curso de Iniciação ao Cooperativismo então realizado com a participação da Incubadora. Somente a partir de 2014, no entanto, a ideia foi tomando corpo e virando realidade, com a articulação entre @s trabalhador@s envolvidos com os diversos projetos em andamento na IEPS, suas comunidades de origem, outras iniciativas populares e a comunidade universitária e com a realização de feiras pontuais (como as ocorridas nas duas edições do Congresso Internacional de Economia Popular e Solidária da UEFS, em 2016 e 2018, a Feira de Culturas e Produção Camponesa em 2015, as últimas edições da Feira do Semiárido e as pequenas “FIPIEPS” – Feiras de Iniciativas Populares Solidárias da IEPS, realizadas, ainda de forma descontínua, a partir de 2016 nos espaços das Cantinas I e VII).
A feira é um espaço símbolo do jeito sertanejo de vivenciar o trabalho, as relações e a cultura. Como toda manifestação popular, é muitas vezes alvo de preconceito e desprezo: lugar de “bagunça”, de “sujeira”, de “atraso”. No preconceito misturam-se racismo, elitismo, subordinação colonial à ideia de que “moderno” e “civilizado” tem que se branco, urbano e asséptico. Assim, trazer a feira para a UEFS sempre teve como objetivo, sobretudo, construir um espaço de convivência e intercâmbio entre a ciência (que também se arvora a ser branca, urbana e asséptica...) e os saberes e valores da vida que acontece fora dos muros da universidade, favorecendo um diálogo horizontal e rico entre dimensões que insistem em se manter separadas. As feiras representam trabalho, cultura, modos alternativos de sentir a vida e seus valores e, sobretudo, as lutas travadas pela sobrevivência na desigualdade.
Pela primeira vez a Feira de Saberes e Sabores vai se realizar no espaço em que ela foi pensada desde o início: o canteiro central, o “meio do caminho” da UEFS, pois é no meio do caminho onde todas as feiras de verdade nascem e fazem história. Basta pensar na Feira de Santana, no meio do caminho entre o sertão e o litoral para onde seguiam as boiadas...
A nova localização da Feira de Saberes e Sabores é, em si, uma história de luta e de organização popular. A Feira já passou pelo estacionamento dos bancos e pelo hangar, ao sabor do arrocho orçamentário que vem sofrendo a Universidade – o aluguel dos toldos era sempre incerto, e acabou sendo impossível.
Mas, de acordo com a filosofia de trabalho da IEPS, a Feira de Saberes e Sabores tem sido uma experiência de organização autogestionária. As iniciativas participantes reúnem-se em assembleias periódicas e vêm construindo pontes para superar as adversidades: criaram critérios de participação, regras para a permanência, um fundo coletivo. Todas as decisões são tomadas de forma coletiva e democrática. Os paralelepípedos para a delimitação do novo espaço, assim como os novos toldos foram adquiridos com o fundo coletivo e com reservas vindas da venda do livro produzido pela IEPS, das feijoadas preparadas e vendidas por estudantes integrantes da IEPS e pel@s expositor@s nas feiras anteriores e do fundo de reserva do Banco Comunitário Sertanejo (que funcionou durante a XI Feira do Semiárido para a circulação da moeda social de mesmo nome). A UEFS, em apoio ao Projeto, contribuiu com a brita e com o serviço necessário à sua colocação no local e à instalação elétrica, aproveitando contratos já vigentes.
A Feira de Saberes e Sabores é espaço de trabalho, de cultura, de diversão. Nela realiza-se extensão e pesquisa, que se entrelaçam com os diversos saberes que trazem @s estudantes e professores que por ela passam. Ela é também um espaço de encontro entre ciência e saber popular, onde a gente deseja fermentar relações, amizades, sensibilidades e lutas que integrem a universidade ao seu entorno, tornando-a capaz de fazer as perguntas e dar as respostas que a sociedade realmente precisa para ser mais acolhedora e humana.

Equipe da Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da UEFS